VOCÊ! VOCÊ! E TODOS VOCÊ!

 

E não é que em Paulínia o Mojica levou tudo?!?!?!

 

Ou quase tudo, porque Selton Mello ganhou o prêmio de Melhor Diretor. Ainda bem, pois seu novo filme, Feliz Natal, não é uma produção fácil. Porém com tantas qualidades que o filme (que estréia em 21 de novembro) tem, seria injusto que não levasse um prêmio "grande", condizente com a primeira experiência de Selton atrás das câmeras.

Encarnação do Demônio é rock n' roll puro. Feliz Natal é oposto, drama denso com sutilezas que aliviam, como o excelente menino Fabricio Reis, que dá show ao lado de Darlene Glória, de volta ao cinema após algumas décadas.

Na coletiva do filme, elogiei o desenho de som do filme, o que deixou o responsável pela área, Paulo Gama, com o pé atrás por alguém ter reparado no som do filme. "É bom, na verdade, quando ninguém presta atenção, sinal de que o som não ficou a mais nem a menos". Retratei-me depois, rindo, porque ele não tinha a menor obrigação de saber que a primeira coisa em que eu reparo em um filme é o som. Coisa de freak mesmo. Adoro os efeitos, música, barulhos, diálogos. E em Feliz Natal, tudo isso está muito bem orquestrado. Mas quem for ao cinema esperando um trabalho do Selton Mello 'bonzinho', vai se surpreender com a face underground do moço - já semi-revelada no teatro, com Zastrozzi.

Fato é que Zé do Caixão merece tudo, simplesmente por ser ele. Até enquanto Selton se remexia na cadeira a cada prêmio que seu Feliz Natal perdia em Paulínia, o roteirista de seu filme, Marcelo Vindicato (escritor bastante talentoso), dava risada na fila de trás e comentava "é isso aí, o Mojica merece". Porque se nada ali fosse ganho por ele, era uma carreira fadada ao fim.

E Selton tem um futuro brilhante. Mojica termina agora seu ciclo de terror e pragas, com uma bem executada trasheira, prato cheio para seus fãs.

E foi emocionante ver aquele senhor de capa preta fugir de seu lugar-comum e desejar, pela primeira vez, aos que ali estivessem, que conseguissem voltar às suas casas sem maiores problemas. Todos voltaram, felizes por um primeiro festival ótimo em Paulínia, por um novo diretor com chances a rodo de aprimorar seu talento e pela consagração de um dos maiores ícones do cinema brasileiro. Adorei.

Coluna Estação Tricolor

 

On Demand

É bom escrever após uma vitória como a de domingo. Dá margem ao cérebro para não ficar martelando sobre o que deu errado. E quando isso não depende de você, é triste. Afinal, somos torcedores e nosso papel fora de campo é puramente retórico. A nós, cabe gritar, se esgoelar na arquibancada, rezar para que a bola adversária passe longe das traves, torcer para que a pontaria dos atacantes esteja calibrada. Nada disso na prática depende de nós. Na prática, veja bem. Pois na teoria somos todos técnicos, Muricys cheios de táticas, idéias, planilhas e esquemas. E isso é saudável e divertido.

 

Esta semana, foi lançado em São Paulo um serviço que permite que você e um grupo de amigos se mobilizem para que aconteça a sessão de cinema de um determinado filme, que já passou nos cinemas ou que ainda vai estrear. Achei a idéia tão bacana que no fim-de-semana tive um sonho com essa premissa.

 

Imagine se fosse possível pedir um jogo por demanda.

 

No meu, eu reeditei o Flamengo de 1987 – com Zico, Jorginho, Bebeto, Leonardo e Zinho – jogando contra o São Paulo de 1992. O estádio, claro, lotado de gente que adoraria ver o embate. E tudo organizado pelo meu maravilhoso software de unir pessoas pela mesma paixão. Se um tricolor quisesse alguma revanche contra a Porcada-Mor de Edmundo, Evair & Cia... Sem problemas, marca o jogo, os caras ainda estão (mais ou menos) aí. Renda teria e motivação também.

 

Se o futuro do cinema é por demanda, unindo os fãs de O Poderoso Chefão ou das animações da Pixar para uma sessão na telona, adoraria ver os apaixonados por futebol conseguirem voltar atrás de tempos que não mais voltariam, não fosse o futuro. E é justamente ele, em toda sua incongruência, que nos permite voltar ao que não vivemos.

 

Mesmo que em um simples VT do qual se acorda para a realidade.

 

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