Coluna Estação Tricolor

Garotos
 
 
Hoje esta coluna entra um pouco mais tarde no ar, porque esperou o resultado entre Brasil x Argentina se definir.
 
(A Olimpíada realmente me tira o sono.)
 
E me faz pensar em como a garotada brasileira, apesar do placar, é sim, importantíssima.
 
Tirando a velha discussão Ronaldinho Gaúcho - que acusam de amarelar em decisões, ok, mas para mim continua sendo um extraterrestre entre o resto dos jogadores - acho que um campeonato olímpico conflita, e muito, com o que o futebol representa hoje no mundo. É o esporte nacional de muitos países, e dessa forma, alimenta o sonho da molecada de, um dia, balançar redes mundo afora e render milhões de euros na continha no fim do mês. O espírito olímpico não tem chance no mundo de empresários e clubes milionários.
 
Quando eu era criança (pronto, modo entregando a idade: ligado) os meninos que estudavam comigo jogavam bola, mas não existia esse mercado absurdo, este investimento para um olheiro levar um menino de 14 anos para a Europa. As primeiras transferências para a Itália estavam acontecendo... Lembro quando o Careca foi para o Nápoli, uma dor no coração de ver aquele tremendo craque indo embora do Tricolor, porque já havia feito tudo e mais um pouco pelo São Paulo.
 
Vendo hoje o Breno (e o Alex Silva e o Hernanes) em campo, me deu um baita aperto.
 
Hoje o jogador é levado do clube sem ainda ter tido tempo de pavimentar a sua estrada ao lado dele. O dinheiro fala muito alto e a culpa não é de um, é de todos.
Claro que a molecada vai sair cedo, ainda mais de um time como o São Paulo, que sabe o quanto os juniores valem para dar continuidade a um planejamento.
 
A questão é justamente essa: continuidade.
 
Para mim, os primeiros contratos deveriam excluir cláusulas de rescisão (não ria!). Seria ideal e até utópico, que meninos joguem um tempo mínimo por seus clubes, tenham a oportunidade de amá-lo, de lutar por ele, para aí sim, desbravar Itália, Rússia, Suécia, Holanda, Espanha, para terem a oportunidade de ter uma história, como tiveram Raí, Leonardo, Careca, Müller e tantos outros.
 
O placar do jogo do Brasil de hoje reflete muito isso, a falta de entrosamento na hora do 'vamos ver'. A falta de amor pela camisa verde-amarela, que fica para trás no sentido prático da coisa. Um sentimento que, pelo menos por enquanto, está sobrando nas seleções feminina de vôlei e de futebol, para mim essas sim, as sérias candidatas ao ouro.
 
E este amor também pode amadurecer no jogo do dia 27, com o Morumbi lotado para dar apoio aos nossos meninos. Vá ao estádio e torça por eles.
 
Quem sabe eles não ficam mais um pouquinho.