As Caixas de Stanley Kubrick
Alguns diretores são bons, outros péssimos, outros são ótimos.
Mas Stanley Kubrick foi um caso à parte. Para mim, um fenômeno em direção de filmes.

Lembrei dele hoje por duas razões: primeiro porque recebi do meu primo um vídeo sensacional, do qual falarei logo mais.
Segundo porque hoje, 11 de setembro, faz 7 anos que meu amigo Ivan subiu pro céu junto às outras vítimas das Torres Gêmeas, em Nova York - e foi ele quem me mostrou O Iluminado pela primeira vez, em muitas das sessões-terror que fizemos na nossa adolescência.
O vídeo, que você assiste aqui, é comprido, mas vale cada frame. Foi dirigido por Jon Ronson, dois meses após a morte de Kubrick, na mansão Childwick. Lá estão centenas de caixas “que possam ser facilmente retiradas e consultadas”, segundo o próprio Kubrick. E dentro de cada uma delas, Ronson descobriu um verdadeiro legado do modus operandi do diretor.
Se o exemplo de diretor ‘Caxias’ mais conhecido é Alfred Hitchcock, este vai por água abaixo quando se lê sobre qualquer história de bastidores de Stanley Kubrick, ou quando se assiste a este vídeo.
No próprio O Iluminado: a pobre Shelley Duvall, além de ter de fugir do mais endiabrado Jack Nicholson da história do cinema, teve de repetir um mesmo take nada menos do que 127 vezes, até o diretor achar bom. Sim, ela chorou de desespero. E se com atores era assim que funcionava, imagine com objetos. E é isso que vemos em Stanley Kubrick’s Boxes.
Fotos? Milhares, de vários ângulos, detalhes, cores, texturas. Um sobrinho seu ficou encarregado de tirar milhares de fotos de portões para que Stanley pudesse escolher seu preferido, que entraria em De Olhos Bem Fechados. Mas “milhares” não é apenas uma expressão, é fato.
E esse cuidado e esmero traduzem a razão pela qual o diretor realizou apenas 16 filmes em quase 50 anos de carreira. A devoção de Stanley Kubrick pelo cinema está ali, e a parte boa é que todo este acervo agora é cuidado pela London University of Arts. E qualquer um pode ir até lá “xeretar”.
Bom passeio para uma tarde londrina chuvosa.
Escrito por MaFê às 15h34






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