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Dois Bateras Incríveis

 

Esta semana, o mundo perdeu dois bateristas que marcaram a vida de muita gente.

A minha e de muitos amigos em especial.

Primeiro, Mitch Mitchell.

Baterista de nada menos que Jimi Hendrix, mestre da guitarra e do início da fusão entre o soul, o rock e o jazz, Mitchell era uma extensão da inquietude de Hendrix. Ele não era mero ritmista, mas tocava para o conjunto todo. Completava nos tempos certos o que apenas as sutilezas harmônicas de um Power Trio sugerem, já que pela essência, a simplicidade do rock não daria muito espaço a isso. Mas a bateria de Mitch é um instrumento poderoso, melódico, que emoldurava até a voz de Jimi muitas vezes. É uma perda de um grande do rock e assim deve ser reverenciado.

E o meu querido Edegar Teixeira.

Em sete anos de convivência com meu mais querido ex-sogro, talvez o tenha visto sentar-se ao banquinho de sua Ludwig umas dez vezes no máximo. Mas ao ouvir as gravações que o seu Modern Tropical Quintet fez, havia ali elegância, a influência dos mestres jazzistas, que passou com amor e dedicação aos filhos Cuca e Wilson, que assimilaram mais do que bem a lição. Um poço de amor incondicional pelo ser humano, Edegar viajou o mundo bem moço, fazendo o que mais adorava: tocar. E tocou para sultões da Ásia, reis e príncipes na Europa, nas melhores festas, clubes e bailes do Brasil. Os que freqüentavam a sua casa, de lá não queriam sair. Sempre tinha aquele cafezinho, a prosa. Corinthiano roxo, gostava de discutir futebol comigo, para desespero da Sara, sua fiel companheira, que não teve ganas de vê-lo ser enterrado.

Entendo perfeitamente.

Edegar, sentirei a sua falta como sinto a do meu pai, e assim o considero por todo o amor que sei que também teve por mim. Vou sentir falta do “Fernandinha, esse meu Timão não tem jeito, viu?”

Pelo menos, querido Edegar, esse seu time teve a decência de ser campeão uma vez mais, antes de você ir embora. Fechando assim essa vida feliz e maravilhosa que graças a Deus você teve.

E agradeço por ter feito parte dela.

 

 

 

Coluna ET

Da Série “Ainda Terei um Treco”.

Globo.com

Fui para Belo Horizonte ter o imenso prazer de presenciar um showzaço dos meus amigos da banda Código B, que estão bombando em Minas – e logo menos, no resto do país.

Apesar do Código B ser predominantemente de São Paulo, Bauxita, o vocalista, é mineiro e cruzeirense e comenta futebol todos os dias na TV Alterosa como representante da torcida raposa.

Assim, ao terminar o (fantástico) show deles no festival Pop Rock Brasil, que precedeu o Maroon 5, eu juro que tinha por um momento abstraído do resultado de São Paulo x Portuguesa. Todos os amigos que foram estavam felizes, pois em meio a bandas de sucesso do gênero, o show deles foi, de longe, o melhor.

Daí... Imagine Bauxita agradecendo ao público e, em contrapartida, 10.000 pessoas gritam “Lííí-deeeer” para ele.

Meu coração gelou.

Não era possível.

Que as minhas orações, a promessa que eu fiz em 2005 – que funciona até hoje – teriam ido por água abaixo. Não, aquele canto não teria razão de ser.

Corro para o celular, alguma mensagem deveria haver. E estava lá: “Pelo amor de Deus, me diz quanto foi o jogo, estou na rua”.

NÃÃÃO! O único SMS perguntava quanto foi!

Saí correndo para perguntar, ninguém sabia ao certo. “2x2”, diziam. E só depois, muito depois, o próprio Bauxita veio com a notícia. “Aê, seu time ganhou de 3x2 no finalzinho”.

Então, querido Tricolor: a minha promessa ainda vale, as rezas deram certo, e se Deus quiser e jogarmos bem, seremos campeões.

Só, por favor, não comemorem antes. A pior amargura é a anunciada.

Vai São Paulo!

PS: Fantástico o Muricy rindo dele mesmo ontem no Bem Amigos, do SporTV.

Esse é o espírito.

 

*****Este post é um agradecimento ao casal querido Bauxita e Érika, que para variar, foram anfitriões magníficos. (Nem por isso vou torcer pra Cruzeiro nenhum, hehe)*****

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