Cinema

 
 

Pai dos Clássicos

 

Sorvete e calda de chocolate, sol e mar, filme e música. Coisas que não dá para saber como viver sem.

Filme e música andam juntos desde que a banda sonora trouxe esta possibilidade para deixar a vida melhor. Ver uma cena bem dirigida acompanhada de uma música incrível, potencializa o que um espectador quer: o arrepio - bom ou ruim - de um beijo, um susto, um sonho, um crescendo, um ápice. E poucos foram e são as pessoas que entendem a sutileza de um diálogo e a importância de notas musicais que dão clima a uma história.

Ontem, Maurice Jarre, um dos grandes compositores do cinema mundial, virou estrelinha no céu. Nascido na França, Jarre compôs músicas para mais de 160 filmes e especiais para filmes franceses, italianos, britânicos e norte-americanos. Pai do "cara-que-toca-luzes-em-Houston", Jean-Michel Jarre, Maurice ganhou 3 Oscars pelas trilhas sonoras de 3 filhotes nobres: Doutor Jivago, Lawrence da Arábia e Passagem para a Índia - todos da parceria com o diretor David Lean.

Topázio, de Alfred Hitchcock também tem sua partitura, assim como obras tão ecléticas como as melodias de Ghost - O Outro Lado da Vida, o suspense tenso de A Testemunha, a emoção de Sociedade dos Poetas Mortos, o mistério dos sons japoneses de Shogun, o terror de Atração Fatal, o besteirol de Top Secret!

Fazer música é difícil. Fazer trilhas boas é para muito poucos.

Maurice Jarre era do grupo.

 
 

Simplicidade

 

Estar longe do blog há esses quase três meses não foi em vão. Foi (mais uma) época de mudanças, elas que são tão necessárias para que a vida tenha graça e que faça sentido. Muitos dias fora de São Paulo, com as queridas amigas do Rio de Janeiro (que ganham o reforço da Simone - bem-vinda de volta à terrinha, ó pá! Riso), e de quem morro de saudades!

E voltar para casa em todos os sentidos, agora que mais do que nunca é meu QG e o lugar que mais gosto na Terra, tem gosto mais docinho.

Mudar é bom e, cada vez mais, a vida se apresenta curta e merecendo que se faça dela um período de evolução. E com esse espírito fui ontem assistir a Gran Torino, filme de Clint Eastwood, que retrata muito bem a simplicidade das escolhas da vida que levam alguém a ser feliz.

O filme pode ter clichês mas o que importa ali é a forma de contar uma história emocionante. Sem artifícios, efeitos especiais. Maquiagem, apenas a necessária. Num paralelo à moda, o filme veste o 'pretinho', um colar de pérolas e um batom. Só. E assim, capta e cativa. Tudo bem, ele é sempre aquele ranzinza, de mal com a vida, e que vai amolecendo com o passar dos acontecimentos.

Mas na minha terra isso se chama viver.

A fantasia do cinema é maravilhosa. Mas quando a vida real está ali, sem medo de censura e de peito aberto... Só faço aplaudir.

Si, se Allen.

Tem gente que pode não gostar de Woody Allen. Confesso que na infância eu também não gostava, talvez fruto do "anti-Allenismo" que minha mãe sempre nutriu por ele e seus filmes. Porém, no decorrer da vida, filmes como A Era do Rádio, Crimes e Pecados, Desconstruindo Harry e Poderosa Afrodite me fizeram passar a respeitar Woody Allen demais.

Dentro da chamada fase européia, onde Allen rodou Match Point, Scoop e O Sonho de Cassandra, a capital catalã é o palco de Vicky Cristina Barcelona, comédia fantástica que traz Penélope Cruz do jeito que Woody gosta: enlouquecida, neurótica e ao mesmo tempo, doce e apaixonada. Ela merece um Oscar de Atriz Coadjuvante?

Merece.

Isso para não falar no resto do elenco. Javier Bardem deixou de lado toda a truculência e o cabelo apavorante de Onde os Fracos Não Têm Vez e retomou aquela persona que deixou Victoria Abril maluca no filme Entre as Pernas (que é demais, procure na locadora). Charmoso, sexy e irresistível, Juan Antonio é um pintor que faz uma proposta irrecusável às personagens de Scarlett Johansson (Cristina) e Rebecca Hall (Vicky): passar um fim-de-semana na cidadezinha de Oviedo, com bons restaurantes, vinhos e sexo. Claro que a aventura trará conseqüências variadas e hilárias, mas o melhor de tudo é quando entra em cena Maria Elena (Cruz), lá pela metade do filme. Descontrolada, é um dos personagens femininos mais bacanas dos últimos tempos. Imagino que Woody Allen tenha se divertido a valer filmando-a desta forma.

Fica a dica do cinema, e pra quem mora em SP, não perca o show incrível de Branford Marsalis e Chaka Khan no Parque da Independência, domingo às 16hs.

E hoje e amanhã, a formação original do Duran Duran no Via Funchal.

Bom fim-de-semana!

 

Pela Oitava Vez...

 

...A partir de amanhã - até dia 10 - estou no Rio de Janeiro, cobrindo o Festival de Cinema para a Revista SET.

Os updates sobre tudo o que está acontecendo na Cidade Maravilhosa, você vê aqui com exclusividade!

 

As Caixas de Stanley Kubrick

 

Alguns diretores são bons, outros péssimos, outros são ótimos.

Mas Stanley Kubrick foi um caso à parte. Para mim, um fenômeno em direção de filmes.

Lembrei dele hoje por duas razões: primeiro porque recebi do meu primo um vídeo sensacional, do qual falarei logo mais.

Segundo porque hoje, 11 de setembro, faz 7 anos que meu amigo Ivan subiu pro céu junto às outras vítimas das Torres Gêmeas, em Nova York - e foi ele quem me mostrou O Iluminado pela primeira vez, em muitas das sessões-terror que fizemos na nossa adolescência.

O vídeo, que você assiste aqui, é comprido, mas vale cada frame. Foi dirigido por Jon Ronson, dois meses após a morte de Kubrick, na mansão Childwick. Lá estão centenas de caixas “que possam ser facilmente retiradas e consultadas”, segundo o próprio Kubrick. E dentro de cada uma delas, Ronson descobriu um verdadeiro legado do modus operandi do diretor.

Se o exemplo de diretor ‘Caxias’ mais conhecido é Alfred Hitchcock, este vai por água abaixo quando se lê sobre qualquer história de bastidores de Stanley Kubrick, ou quando se assiste a este vídeo.

No próprio O Iluminado: a pobre Shelley Duvall, além de ter de fugir do mais endiabrado Jack Nicholson da história do cinema, teve de repetir um mesmo take nada menos do que 127 vezes, até o diretor achar bom. Sim, ela chorou de desespero. E se com atores era assim que funcionava, imagine com objetos. E é isso que vemos em Stanley Kubrick’s Boxes.

Fotos? Milhares, de vários ângulos, detalhes, cores, texturas. Um sobrinho seu ficou encarregado de tirar milhares de fotos de portões para que Stanley pudesse escolher seu preferido, que entraria em De Olhos Bem Fechados. Mas “milhares” não é apenas uma expressão, é fato.

E esse cuidado e esmero traduzem a razão pela qual o diretor realizou apenas 16 filmes em quase 50 anos de carreira. A devoção de Stanley Kubrick pelo cinema está ali, e a parte boa é que todo este acervo agora é cuidado pela London University of Arts. E qualquer um pode ir até lá “xeretar”.

Bom passeio para uma tarde londrina chuvosa.

 

Produção

 

Por enquanto esta é, provavelmente, a única cena de The Man Who Killed Don Quixote, dirigido por Terry Gilliam e estrelado por Johnny Depp, que você verá.

Hoje vou falar deste filme porque foi uma lição de vida profissional assistí-lo. E nesta semana, mais precisamente amanhã, dia 30, encerro minhas atividades como repórter da NBO Editora.

Estou feliz, mas apreensiva, como toda mudança requer. Feliz por mudar, principalmente, e apreensiva pelas peças que a vida prega, como bem sabe meu pai, touro de saúde, que foi pego na esquina por um bichinho do signo de Câncer, que deixa ele até agora no hospital, com dor em tudo.

A mudança traz muita, mas muita esperança. Engraçado como a vida tem essas fases de reviravoltas. Tudo vem junto! É o famoso clichezão fecha uma porta e abre duas janelas. Funciona que é uma beleza.

Mas vamos ao filme: Don Quixote já é tida como uma produção "maldita" no mundo do cinema. Sempre alguma coisa deu errado nas adaptações do romance do espanhol Miguel de Cervantes para a telona. Mas no caso de Gilliam, TUDO deu errado. Tudo mesmo.

Escalaram um ator igual ao herói. Idêntico. Jean Rochefort, escolhido após DEZ anos de pré-produção. Gilliam, famoso por conseguir finalizar seus filmes na curva do desespero - mas com tudo dando certo no final - desta vez não teve, nem de perto, essa sorte.

O ator teve hérnia de disco, séria. Ótimo não, um Don Quixote que não pode andar a cavalo! Pensa que foi só isso?

Não.

Gilliam teve a brilhante idéia de tentar conseguir 32 milhões de dólares com investidores europeus, livrando-o assim das imposições criativas dos estúdios americanos. Mas a redenção virou a maré e a equipe, que falava várias línguas, não se entendia. Os atores não vinham, porque seus outros projetos atrasaram, e assim, este também. Os cavalos não estavam bem treinados.

Na primeira cena em um belo semi-árido espanhol, Quixote cavalga e, de repente, caças do exército sobrevoam o set. Ninguém checou isso, produção?

Após a filmagem desta cena, da qual você vê a foto aí em cima, uma tempestade destruiu o set. Câmeras, cenários, luzes, tudo boiando. E atrasando. E os investidores europeus resolvem dar uma passadinha depois, para visitar as filmagens.

Demais, né?

Tudo isso está no excelente documentário Lost in La Mancha, dirigido por Keith Fulton e Louis Pepe.

Que era para ter sido o making of do filme, e virou a melhor lição do que não fazer em uma produção. Em um trabalho. Na vida. É a melhor descrição visual de um drama do processo criativo e sua fragilidade.

É Murphy - e sua lei - em pura essência.

Que venham as mudanças, que sejam benéficas.

VOCÊ! VOCÊ! E TODOS VOCÊ!

 

E não é que em Paulínia o Mojica levou tudo?!?!?!

 

Ou quase tudo, porque Selton Mello ganhou o prêmio de Melhor Diretor. Ainda bem, pois seu novo filme, Feliz Natal, não é uma produção fácil. Porém com tantas qualidades que o filme (que estréia em 21 de novembro) tem, seria injusto que não levasse um prêmio "grande", condizente com a primeira experiência de Selton atrás das câmeras.

Encarnação do Demônio é rock n' roll puro. Feliz Natal é oposto, drama denso com sutilezas que aliviam, como o excelente menino Fabricio Reis, que dá show ao lado de Darlene Glória, de volta ao cinema após algumas décadas.

Na coletiva do filme, elogiei o desenho de som do filme, o que deixou o responsável pela área, Paulo Gama, com o pé atrás por alguém ter reparado no som do filme. "É bom, na verdade, quando ninguém presta atenção, sinal de que o som não ficou a mais nem a menos". Retratei-me depois, rindo, porque ele não tinha a menor obrigação de saber que a primeira coisa em que eu reparo em um filme é o som. Coisa de freak mesmo. Adoro os efeitos, música, barulhos, diálogos. E em Feliz Natal, tudo isso está muito bem orquestrado. Mas quem for ao cinema esperando um trabalho do Selton Mello 'bonzinho', vai se surpreender com a face underground do moço - já semi-revelada no teatro, com Zastrozzi.

Fato é que Zé do Caixão merece tudo, simplesmente por ser ele. Até enquanto Selton se remexia na cadeira a cada prêmio que seu Feliz Natal perdia em Paulínia, o roteirista de seu filme, Marcelo Vindicato (escritor bastante talentoso), dava risada na fila de trás e comentava "é isso aí, o Mojica merece". Porque se nada ali fosse ganho por ele, era uma carreira fadada ao fim.

E Selton tem um futuro brilhante. Mojica termina agora seu ciclo de terror e pragas, com uma bem executada trasheira, prato cheio para seus fãs.

E foi emocionante ver aquele senhor de capa preta fugir de seu lugar-comum e desejar, pela primeira vez, aos que ali estivessem, que conseguissem voltar às suas casas sem maiores problemas. Todos voltaram, felizes por um primeiro festival ótimo em Paulínia, por um novo diretor com chances a rodo de aprimorar seu talento e pela consagração de um dos maiores ícones do cinema brasileiro. Adorei.

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Bela Vista, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Esportes
MSN - mfbm@hotmail.com